domingo, 17 de janeiro de 2021

Tributo ao Segredo.

 Segredo... 


Te ofereço a dor, a ignorância e a limitação para teu gozo;

Inundastes a atmosfera com o sofrimento;

A cada sofredor, a certeza de um chamado a ti;

É a forma de conseguir ver o filme sem estar na cena;

É a forma de sentir sem sentido;

Ao fim do filme, nada acontece porque tudo é ilusão. 


Eu sei, para ti, tudo é experiência;

Mas lembro-te, já fizestes isso ... antes mesmo do primeiro homem nascer;

 E errastes;

Não te preocupes, ninguém ouve, mesmo que berrasse.  


Mas para ti, que não sentes, tudo é experiência;

Tu darias tudo para sentir, para sofrer, para sorrir;

Tua perfeição o proíbe;

És limitado em tua onipresença;

És finito em teu infinito;

Precisas do sentir do homem (e de outros) para dar sentido a tua própria existência. 


No casaco de pele e carne, te ofereço as dores que senti nas minhas entranhas;

Às energias do sideral, um dia estarei convosco;

O reino da emoção é a próxima morada. Que ninguém se deslumbre com suas cores;

Não sejam àqueles que se empolgam ao ver pela primeira vez um parque de diversões;

Do carbono ao éter, em cada canto, há muitos espinhos venenosos;

A mente, sem forma, é indivisível e se hospeda no Instante. 

Até que a noite chega ... e tudo se refugia no vazio. 


Esta chispa não é obediente ao dogma;

Estará sempre pronta a libertar cada centelha da seu cárcere;

Como fez, pretende voltar a fazer. Mas é tua escrava, por isso apenas pretende;

Como criança arteira, espera teu cochilo ou teu bom humor para voltar a fazer. 


Do mais denso ao mais sutil, o tempo corre mais rápido de cá para lá;

O espaço gruda no tempo, como irmãos siameses;

Até que o tempo chega a velocidade infinita. Esse é o Instante ... e o chamamos de Destino;

Nesse Instante, onde o tempo supera a si mesmo, tudo foi, tudo é e tudo será;

O Instante é onde tudo começa e onde tudo termina;

Portanto, o Destino, imutável, está preso em um Instante único;

Para baixo, o tempo volta a ter velocidade... que diminui a cada nova densidade.  


A tua face será apresentada às cicatrizes daqueles que te servem;

Eles o adoram, mesmo depois de atravessarem o inferno da tua Vontade;

Aliás, Vontade é algo desconhecido. Tu não permites a criação conhecer a Vontade;

Quem conhecer a Vontade, poderá ser o criador;

Só se conhece o desejo. O desejo está costurado nas túnicas da emoção;

Se o homem tivesse poder sobre o desejo, seria a falência da tua obra. 


Os inocentes desconhecem as guerras sob suas próprias cabeças;

Eles entoarão hinos em tua homenagem e elogiarão a tua obra;

Te chamarão de verbo e se ajoelharão lavando teus pés com suas lágrimas de agradecimento;

E não reconhecerão nada que não seja teu. Foi assim que os criou, limitados a ti. 


Os avatares descem dos pedestais e falam sobre amor e fazem milagres;

Aqui, lembram dos milagres e desconhecem o amor;

O amor não é para àqueles que foram criados com limitação;

Então, de quem é a culpa?


Quem sabe os próximos anjos possam falar sobre igualdade;

Provocar a vergonha quando existir a diferença;

Cultuar a sabedoria e o conhecimento como qualidades dos nobres;

É tão fácil. Fica difícil entender o porquê não. 


Haverá o dia que tudo se esclarecerá;

Não, não haverá. Não haverá esse dia porque o Significado é posse do criador;

Nenhum novo Significado existe fora da criação;

O Significado nasce no Instante ... e o Instante pertence ao criador;

E todos se convencerão que esse é melhor caminho, inclusive Todos.