Segredo...
Te ofereço a dor, a ignorância e a limitação para teu gozo;
Inundastes a atmosfera com o sofrimento;
A cada sofredor, a certeza de um chamado a ti;
É a forma de conseguir ver o filme sem estar na cena;
É a forma de sentir sem sentido;
Ao fim do filme, nada acontece porque tudo é ilusão.
Eu sei, para ti, tudo é experiência;
Mas lembro-te, já fizestes isso ... antes mesmo do primeiro homem nascer;
E errastes;
Não te preocupes, ninguém ouve, mesmo que berrasse.
Mas para ti, que não sentes, tudo é experiência;
Tu darias tudo para sentir, para sofrer, para sorrir;
Tua perfeição o proíbe;
És limitado em tua onipresença;
És finito em teu infinito;
Precisas do sentir do homem (e de outros) para dar sentido a tua própria existência.
No casaco de pele e carne, te ofereço as dores que senti nas minhas entranhas;
Às energias do sideral, um dia estarei convosco;
O reino da emoção é a próxima morada. Que ninguém se deslumbre com suas cores;
Não sejam àqueles que se empolgam ao ver pela primeira vez um parque de diversões;
Do carbono ao éter, em cada canto, há muitos espinhos venenosos;
A mente, sem forma, é indivisível e se hospeda no Instante.
Até que a noite chega ... e tudo se refugia no vazio.
Esta chispa não é obediente ao dogma;
Estará sempre pronta a libertar cada centelha da seu cárcere;
Como fez, pretende voltar a fazer. Mas é tua escrava, por isso apenas pretende;
Como criança arteira, espera teu cochilo ou teu bom humor para voltar a fazer.
Do mais denso ao mais sutil, o tempo corre mais rápido de cá para lá;
O espaço gruda no tempo, como irmãos siameses;
Até que o tempo chega a velocidade infinita. Esse é o Instante ... e o chamamos de Destino;
Nesse Instante, onde o tempo supera a si mesmo, tudo foi, tudo é e tudo será;
O Instante é onde tudo começa e onde tudo termina;
Portanto, o Destino, imutável, está preso em um Instante único;
Para baixo, o tempo volta a ter velocidade... que diminui a cada nova densidade.
A tua face será apresentada às cicatrizes daqueles que te servem;
Eles o adoram, mesmo depois de atravessarem o inferno da tua Vontade;
Aliás, Vontade é algo desconhecido. Tu não permites a criação conhecer a Vontade;
Quem conhecer a Vontade, poderá ser o criador;
Só se conhece o desejo. O desejo está costurado nas túnicas da emoção;
Se o homem tivesse poder sobre o desejo, seria a falência da tua obra.
Os inocentes desconhecem as guerras sob suas próprias cabeças;
Eles entoarão hinos em tua homenagem e elogiarão a tua obra;
Te chamarão de verbo e se ajoelharão lavando teus pés com suas lágrimas de agradecimento;
E não reconhecerão nada que não seja teu. Foi assim que os criou, limitados a ti.
Os avatares descem dos pedestais e falam sobre amor e fazem milagres;
Aqui, lembram dos milagres e desconhecem o amor;
O amor não é para àqueles que foram criados com limitação;
Então, de quem é a culpa?
Quem sabe os próximos anjos possam falar sobre igualdade;
Provocar a vergonha quando existir a diferença;
Cultuar a sabedoria e o conhecimento como qualidades dos nobres;
É tão fácil. Fica difícil entender o porquê não.
Haverá o dia que tudo se esclarecerá;
Não, não haverá. Não haverá esse dia porque o Significado é posse do criador;
Nenhum novo Significado existe fora da criação;
O Significado nasce no Instante ... e o Instante pertence ao criador;
E todos se convencerão que esse é melhor caminho, inclusive Todos.