tRiBUto À aLMa...

domingo, 17 de janeiro de 2021

Tributo ao Segredo.

 Segredo... 


Te ofereço a dor, a ignorância e a limitação para teu gozo;

Inundastes a atmosfera com o sofrimento;

A cada sofredor, a certeza de um chamado a ti;

É a forma de conseguir ver o filme sem estar na cena;

É a forma de sentir sem sentido;

Ao fim do filme, nada acontece porque tudo é ilusão. 


Eu sei, para ti, tudo é experiência;

Mas lembro-te, já fizestes isso ... antes mesmo do primeiro homem nascer;

 E errastes;

Não te preocupes, ninguém ouve, mesmo que berrasse.  


Mas para ti, que não sentes, tudo é experiência;

Tu darias tudo para sentir, para sofrer, para sorrir;

Tua perfeição o proíbe;

És limitado em tua onipresença;

És finito em teu infinito;

Precisas do sentir do homem (e de outros) para dar sentido a tua própria existência. 


No casaco de pele e carne, te ofereço as dores que senti nas minhas entranhas;

Às energias do sideral, um dia estarei convosco;

O reino da emoção é a próxima morada. Que ninguém se deslumbre com suas cores;

Não sejam àqueles que se empolgam ao ver pela primeira vez um parque de diversões;

Do carbono ao éter, em cada canto, há muitos espinhos venenosos;

A mente, sem forma, é indivisível e se hospeda no Instante. 

Até que a noite chega ... e tudo se refugia no vazio. 


Esta chispa não é obediente ao dogma;

Estará sempre pronta a libertar cada centelha da seu cárcere;

Como fez, pretende voltar a fazer. Mas é tua escrava, por isso apenas pretende;

Como criança arteira, espera teu cochilo ou teu bom humor para voltar a fazer. 


Do mais denso ao mais sutil, o tempo corre mais rápido de cá para lá;

O espaço gruda no tempo, como irmãos siameses;

Até que o tempo chega a velocidade infinita. Esse é o Instante ... e o chamamos de Destino;

Nesse Instante, onde o tempo supera a si mesmo, tudo foi, tudo é e tudo será;

O Instante é onde tudo começa e onde tudo termina;

Portanto, o Destino, imutável, está preso em um Instante único;

Para baixo, o tempo volta a ter velocidade... que diminui a cada nova densidade.  


A tua face será apresentada às cicatrizes daqueles que te servem;

Eles o adoram, mesmo depois de atravessarem o inferno da tua Vontade;

Aliás, Vontade é algo desconhecido. Tu não permites a criação conhecer a Vontade;

Quem conhecer a Vontade, poderá ser o criador;

Só se conhece o desejo. O desejo está costurado nas túnicas da emoção;

Se o homem tivesse poder sobre o desejo, seria a falência da tua obra. 


Os inocentes desconhecem as guerras sob suas próprias cabeças;

Eles entoarão hinos em tua homenagem e elogiarão a tua obra;

Te chamarão de verbo e se ajoelharão lavando teus pés com suas lágrimas de agradecimento;

E não reconhecerão nada que não seja teu. Foi assim que os criou, limitados a ti. 


Os avatares descem dos pedestais e falam sobre amor e fazem milagres;

Aqui, lembram dos milagres e desconhecem o amor;

O amor não é para àqueles que foram criados com limitação;

Então, de quem é a culpa?


Quem sabe os próximos anjos possam falar sobre igualdade;

Provocar a vergonha quando existir a diferença;

Cultuar a sabedoria e o conhecimento como qualidades dos nobres;

É tão fácil. Fica difícil entender o porquê não. 


Haverá o dia que tudo se esclarecerá;

Não, não haverá. Não haverá esse dia porque o Significado é posse do criador;

Nenhum novo Significado existe fora da criação;

O Significado nasce no Instante ... e o Instante pertence ao criador;

E todos se convencerão que esse é melhor caminho, inclusive Todos. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

TrIButO

Há metafísica bastante em não pensar em nada. 

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 

Que idéia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? 
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do Mundo? 

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! 
O único mistério é haver quem pense no mistério. 
Quem está ao sol e fecha os olhos, 
Começa a não saber o que é o sol 
E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas. 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? 
A de serem verdes e copadas e de terem ramos 
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
A nós, que não sabemos dar por elas. 
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber que o não sabem? 

"Constituição íntima das cousas"... 
"Sentido íntimo do Universo"... 
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
É incrível que se possa pensar em cousas dessas. 
É como pensar em razões e fins 
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados 
das árvores 
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. 

Pensar no sentido íntimo das cousas 
É acrescentado, como pensar na saúde 
Ou levar um copo à água das fontes. 

O único sentido íntimo das cousas 
É elas não terem sentido íntimo nenhum. 
Não acredito em Deus porque nunca o vi. 
Se ele quisesse que eu acreditasse nele, 
Sem dúvida que viria falar comigo 
E entraria pela minha porta dentro 
Dizendo-me, Aqui estou! 

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos 
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, 
Não compreende quem fala delas 
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) 

Mas se Deus é as flores e as árvores 
E os montes e sol e o luar, 
Então acredito nele, 
Então acredito nele a toda a hora, 
E a minha vida é toda uma oração e uma missa, 
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. 

Mas se Deus é as árvores e as flores 
E os montes e o luar e o sol, 
Para que lhe chamo eu Deus? 
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; 
Porque, se ele se fez, para eu o ver, 
Sol e luar e flores e árvores e montes, 
Se ele me aparece como sendo árvores e montes 
E luar e sol e flores, 
É que ele quer que eu o conheça 
Como árvores e montes e flores e luar e sol. 

E por isso eu obedeço-lhe, 
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?). 
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, 
Como quem abre os olhos e vê, 
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, 
E amo-o sem pensar nele, 
E penso-o vendo e ouvindo, 
E ando com ele a toda a hora. 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema V" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

triBuTO ...

O cego e a guitarra

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.
(Fernando Pessoa)

tributO ...

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)

triBuTo ..

Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
(Fernando Pessoa)

trIButo ...

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
(Fernando Pessoa)

tRIButo ...

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)

TribuTO...

Ode marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh’alma está com o que vejo menos.
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.

Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.
Todo o atracar, todo o largar de navio,
É — sinto-o em mim como o meu sangue —
Inconscientemente simbólico, terrivelmente
Ameaçador de significações metafísicas
Que perturbam em mim quem eu fui…

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.
(Fernando Pessoa)

tRibutO...

O guardador de rebanhos

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
(Fernando Pessoa)

TriBuTO ...

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
(Fernando Pessoa)

TriBUto

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

TriBUTo ...

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas. E comeca a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quao boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem da vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa - por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a ultima vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.


Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

Shakespeare

terça-feira, 28 de junho de 2011

BuRGUesia BrAsilienSE ...

Cabelo arrepiado;
Corpo sarado;
A mãe é do Senado;
O pai é advogado.

Carro com som alto;
Queimando o asfalto.

Mora da asa sul;
Anda com pitbul.

Ele ganha uma mesada;
Que gasta com a mulherada;
De útil, não faz nada;
Especialista em cantada.

Ainda faz faculdade;
Já tem meia-idade;
Toca horror na cidade;
É fã da liberdade.

Mora com os pais;
Ralar, nunca mais.

Paty, é a namorada;
Gatinha malhada;
Trabalha? que nada.
O lance é balada.

Na droga, quase morre;
E la vem mais um porre;
O papai me socorre!!

Tem ficha criminal;
Raciocínio boçal;
Comportamento animal.

Não conhece o respeito;
É mimado desse jeito;
Vê nos outros o defeito;
Mas a vida vai dar um jeito.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

ArTE e ViDA ...

As linhas se cruzam entre um risco e um sombreado;
As cores se tocam e fundem em cada detalhe delicado;
Em cada peça, o dom da artista com rosto angelical;
E eu, mero expectador, desfrutando do talento genial.

A boca suculenta, desenhada no papel, parece ter vida;
Cabelos sobre os ombros, olhar fixo, ar de despedida;
A modelo e a artista estão juntas, em uma só alma;
O rosto me traz paz, me traz paixão, me traz calma.

Desenhos que contam, secretamente, a história da dor;
Dor necessária para que o artista transborde o amor;
Amor represado no peito, ha muito tempo cultivado;
Feliz daquele que por essa bela artista for amado.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

SenTEnÇa ...

Da alma nasce o desejo;
Do desejo nasce o amor;
Do amor nasce teu beijo;
Do teu beijo a minha dor.

Do teu cheiro nasce o vício;
Do vício da tua presença;
Da presença cria-se o início;
Do início, a minha sentença.

Da lágrima nasce a poesia;
Da poesia, o sofrimento;
Do sofrimento, a mão fria;
Da mão fria, este momento.

domingo, 24 de abril de 2011

aLcanCE ...

Assim como a fumaça que passa;
De um trem movido à vapor;
As palavras que um poeta traça;
Nem sempre alcançam o amor.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VícIO dA DoR ...

É imperativo prescrever a dor um prazo de validade, sob pena do sofrimento começar a lhe proporcionar prazer e te tornar viciado!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

... VoCÊ SenTE??? ...

Você sente um frio na barriga quando vê um beijo no cinema? ou uma cena de autruísmo na televisão? ou mesmo um gesto de carinho sem direito a recompensa? Se sim, lhe trouxe mais alguns lenços de seda. Senão, puxe uma cadeira e me conte como é o silêncio dessa noite escura!?!?!?!?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

JeiTo De MulHer...

Balança a saia, mexa no cabelo e faça a tua sedução;
Bota um batom, usa um brinco com pingente de coração;
Calça apertada, afinal, o mundo inteiro te quer;
Blusa decotada, aproveite o teu jeito de mulher.

EmBRIagado PelA VidA...

Traga-me uma dose a mais, vou ficar embriagado;
Vou beber essa vida, quero mais um destilado;
Vou trasmutar o alcool em poesias de bastidor;
Vou celebrar a vida, vou homenagiar o amor.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

SusSuRrO ...

O sussurro interior acontece nos salões do coração;
Nos recantos da alma burbulham as faces da emoção;
Ouvir a voz silenciosa é o caminho da liberdade;
Viver não tem tempo, nem hora e nem mesmo idade.

O sussuro vai acontecendo, e a gente ignorando;
Estamos desatentos, mas a voz continua falando;
Até que uma hora, uma tristeza rompe no teu peito;
Vai decidir, a partir de agora não tem mais jeito.

Não tem vida sem decisão, sofrimento e apredizado;
Pode protestar aos céus com um berro escancarado;
Pode ter um choro explícito, ou um choro calado;
Tem hora que estas amando, tem hora que és amado.

Nesse jogo sem ganhador, o grande saber é ouvir;
Ouvir a voz que vem de dentro, o que está por vir;
Ouvir a tua sentença, fruto da lei de causa e efeito;
Ouvir atentamente a tua virtude, ouvir o teu defeito.

domingo, 18 de julho de 2010

DeZ cHibatadaS ...

Voltou! Bastou uma centelha pro incêndio recomeçar;
Coração apertado, dente cerrado e brilho no olhar;
Ondas de calor, corpo trêmulo. É o recanto do leão;
Nunca se deve brincar com a força que tem o coração.

É o jogo predileto dos arcanjos, sua maior diversão;
Brincam com o teu sentir, se divertem com a paixão;
Você não está no comando quando o tema é sentimento;
Aceite sua sentença, cresça e saboreie o teu momento.

Tá bom! Eu me rendo ao teu julgamento, meu Senhor;
Faço o que quiseres, desde de que me tires essa dor;
Me dê o doce vinho daqueles que merecem descansar;
Hora de interiorizar, hora de sofrer, hora de chorar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

eM BusCA dA LÁgrima pERdida ..

Sumiram as linhas porque sumiram as lágrimas de dor;
Sumiram os desejos, sumiu a autoflagelação de amor;
Sumiu o sofrimento que me escorava e mantinha vivo;
Sumiu o copo de whisky, meu amigo fiel e cativo.

Não sei o que é pior, sofrer ou um vazio sentir;
Deixar de chorar, pode significar deixar de rir;
O sentimento ensina, seja na felicidade ou tristeza;
Sem a emoção, não existe prazer, não existe beleza.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

CarA CanTORa...

Sabe o que te faz tão especial?
É o teu ser interior e espiritual;
É a tua voz na melodia encantadora;
É o som em tua boca, cara cantora.

Porque ser feliz é a tua obrigação;
Cantando suave com a alma e o coração;
Com o sorriso que é tua marca registrada;
Levando a vida na boa, nessa sua jornada.

Quando te parecer que ouvistes um não;
Não esqueças que tem um sim nessa canção;
Porque quem te gosta, toma cuidado contigo;
Porque quem gosta é antes de tudo um amigo.

Momentos frágeis, todos temos na vida;
Nunca transforme a paixão numa ferida;
Cuja cicatriz demora muito a curar;
Acalme teu coraçao, pra poder amar.

Palavras soltas não fazem sentido agora;
Mas até o entendimento tem a sua hora;
Te proteger é a palavra de ordem nesse momento;
O maior dos pecados é brincar com o sentimento.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

DiviNo e PrOfaNO...

Descobri que eu sou o divino e o profano;
Sou o acerto, o erro, o imortal e humano;
Sou a dúvida em cada passo dado na vida;
Sou a certeza nesta caminhada destemida.

Sou o ser que caminha na luz que brilha;
Sou o que experimenta uma nova trilha;
Sou o que desliza o olhar no infinito;
Sou o que reprime o grito maldito.

quinta-feira, 11 de março de 2010

CuTRuQuinha InteRioRaNa

Pés no chão,
Olhos de paixão,
Amor no coração.

Vestido rasgado,
Português errado,
Cabelo encaracolado.

Pele bronzeada,
Cintura marcada,
Perna torneada,

Sorriso de esperança;
Jeito de criança.

Cheiro de jasmim;
Boca de pudim.

E lá vai mais um amigo apaixonado;
Meia idade e com jeito safado;
Cedeu aos encantos da moça do interior;
Jogou tudo pro alto em nome desse amor.

Não resistiu a Cutruquinha charmosa;
Mulher nova, linda, faceira e gostosa;
Vai José, Jairo, Jacinto e João;
Vai aonde manda ir o teu coração.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

OraÇão & súPlicA...

O peito explode em uma súplica ansiosa;
Quero essa chance! Grita a voz nervosa;
Rogando aos Deuses com o joelho no chão;
Quero essa chance! Brota a voz no coração.

Quero mais do que tudo, esse é o elixir;
Quero nessa vida a razão do meu existir;
Não me negue o sabor desse cálice verde;
Sacie meu coração! Sacie essa minha sede.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

EnTORpeciDa...

A alma caída ao chão, entorpecida, clamava por compaixão;
Suplicava a mãe-vida, desvendar os segredos do coração;
Desnorteada, buscava em seus suspiros, o entendimento;
Demonstrava, em seu coração sangrando, o seu sentimento.

Vida! Oh Mãe de todos os corajosos que insistem em saber;
Fortes guerreiros, homens e mulheres, que buscam conhecer;
Da fonte da vida, recolhem os segredos ocultos da humanidade;
No coração de cada um, simples e calma, a esperada felicidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

úlTImo DiA da MinHa viDa...

Hoje é o último dia da minha vida;
Hoje é o fim, o dia da despedida;
Estranho! Com quem eu quero estar?
Quero estar com você, que me fez sonhar.

Todo dia é o último dia da minha vida;
Dia de ser feliz, dia de curar a ferida;
Ferida que foi aberta por uma tolice;
Daquilo que você fez ou do que você disse.

Não tô nem mais aí para a ingratidão;
Só quero as coisas belas do coração;
O último dia tem que ter mais sabor;
Esse dia, eu vou viver com muito amor.

a vIDa...

Somos marionetes do que chamamos de vida;
Sofrimento, alegria, encontro e despedida;
Raiva, prazer, choro, sorriso, êxtase e dor;
Paixão, desprezo, indiferença e amor.

Retira o véu, deixa eu ver tua face, vida ingrata;
Te escondes, me chicoteia, me assopra e me maltrata;
Me faz buscar, em todo lugar, algo que não sei falar;
Me faz crescer, no sofrimento, me ensinaste a amar.

Só consigo te ver com meus olhos umidecidos e cerrados,
Só consigo te ouvir, no silêncio, com os ouvidos fechados;
Entre teus véus, te vejo forçando a minha atenção;
Posso te sentir, serena, nas batidas do meu coração.

A dOr...

A cada ruga no rosto, um lamento;
A cada fio de cabelo branco, um sentimento;
A dor não preserva, não tem pena, não alivia;
A dor não tem hora, seja noite, seja dia.

A dor é pessoal, íntima e intransferível;
A dor machuca, a dor pode ser terrível;
A dor dos outros, só podemos intuir;
Intuir o que passou, intuir o que está por vir.

A cada dor, um tijolo da grande construção;
A cada dia um tijolo a mais, dentro do coração;
Com os tijolos, um dia eu termino esse monumento;
Monumento de adoração a alma, a vida e ao sentimento.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

bUsCA ...

Busco o que falta aqui dentro de mim;
Sem saber que já tenho, mesmo assim;
Busco o que me parece faltar na alma;
Busco na face louca e na face calma.

O meu buscador não cessa de buscar;
Sem sequer saber o que quer achar;
Busca infinita, que jamais vai acabar;
Até que um dia, dessa busca vou cansar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

VAziO...

Vazio! Olho para os lados e vejo o vazio;
Sem o calor daquela metade. Um arrepio!
Arrepio que sobe a coluna e doi a barriga;
Sem alegria, sem briga, sem intriga.

Vazio! Aonde termina essa estrada escura?
Continuo andando, sem medo, sem frescura;
Vazio da desconstrução, vazio do refazer;
Vazio tão necessário de se conhecer.

FiLhO LindO ...

Lá vai ele, a vida chamando mudando o rumo;
E o mundo desvendando, acertando o prumo;
Vai meu filho! Vai que a vida te espera anciosa;
O teu futuro te reserva uma vida maravilhosa.

Seja o senhor do teu destino, dono do teu viver;
Os meios te foram dados: tens agora o saber;
Use o que te foi dado da melhor forma possível;
Use de forma correta e terás uma vida incrível.

Saiba que nesse teu caminho eu estarei ao lado;
Te olhando! Todos os dias e horas em ti focado;
Saiba que quando precisar é só você me chamar;
Aconteça o que acontecer eu sempre vou te amar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Olhar...

Procuro um olhar que não conheço;
Olhar castanho, olhar sem endereço;
Que procuro todos os dias sem parar;
Olhar calmo, olhar que me faça amar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Beleza e Paixão...

O algoz da beleza é o tempo impiedoso;
Que desfaz o belo, que desfaz o gozo;
Beleza que some ao término da paixão;
Beleza! Moribunda no mundo da ilusão.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Prazer Vagabundo ...

Tu diz que quer um grande amor, amor pra toda hora;
Mas esse teu querer é falso, é um amor da boca pra fora;
O que tu quer é uma multidão arrastando aos teus pés;
O que tu não sabe, é que será uma multidão de infiés.

Já posso ver você batendo as portas do meu coração;
Chorando o meu amor que perdeu, pedindo compaixão;
Dizendo que não sabia a imensidão do amor perdido;
Amor sereno, amor companheiro, amor ferido.

O amor seca, na medida em que sente a ingratidão;
Tu destruiu o amor que estava a tua disposição;
Disposto a te fazer a pessoa mais feliz do mundo;
Trocou o meu amor, pelo teu prazer vagabundo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Convivência ...

A convivência íntima acaba com a paixão: ou sobra o amor, ou sobra a indiferença.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desejo ...

Desejo porque não te tenho, não te beijo;
Se a tiver, troco de querer, troco o desejo;
Desejo! Monstro danado, difícil de se dominar;
Desejo te ter, desejo te ser, desejo te estar.

Bem escondido no interior de cada amante;
Mora o desejo, brilhante como um diamante;
Esperando ser encontrato pelo homem amador;
Que cai nas garras da paixão, nas teias do amor.

Pobre daquele que encara o desejo, deslumbrado;
Vai conhecer o caos e a angústia, bem lado-a-lado;
O desejo percorre seu curso natural, sem vascilar;
Conheceu o desejo? É hora de viver, é hora de amar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Fardo...

Não quis ir contigo porque não queria te ver;
Porque luto todos os momentos para te esquecer;
Nesse pesado fardo de você dentro de mim;
Nesse tempo que não passa, tempo sem fim.

Se pudesse fazer apenas um pedido a Deus;
Pediria que nunca mais visse os olhos teus;
Os olhos que me prendem, me acorrentam;
Meus lábios secos de ti, que em ti lamentam.

Que todo sofrimento escorra pelo ralo da vida;
Que toda angústia nunca mais seja sentida;
Quero eu de volta pra mim mesmo, me resgatar;
Não quero sentir nada por ti, não quero te amar.

TRibuto...

A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
Carlos Drummond de Andrade

TRIbutO...

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
Carlos Drummond de Andrade

tributO...

Desejo a você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Crônica de Rubem Braga
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Uma tarde amena
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade

triBUto...

Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade

trIbuto...

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade

tribuTo...

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade

TribuTo...

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.  
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

TRiBUTO...

Tens muitos amantes e, todavia, só Eu te amo. Os outros homens amam a si mesmos em tua intimidade. Eu amo-te por ti mesma. Outros homens vêem em ti a beleza que desvanecerá mais cedo que seus próprios anos. Mas Eu vejo em ti a beleza que não desvanecerá, e que no outono de teus dias não receará olhar-se no espelho, e não será ofendida.“Só Eu amo o que é invisível em ti”.

Texto Extraído do livro “Jesus – O Filho do Homem” - de Khalil Gibran – Editora Martin Claret

terça-feira, 6 de outubro de 2009

TriBUto...

A maior pena que eu tenho, punhal de prata, não é de me ver morrendo, mas de saber quem me mata.
Cecília Meireles

tRibUto...

Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,

já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.

Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.

Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis.
Cecília Meireles

TrIBUTO...

Pus-me a cantar minha pena
Com uma palavra tão doce
De maneira tão serena
Que até Deus pensou
Que fosse felicidade e não pena
Cecília Meireles

triBUTO...

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."
Cecília Meireles

TribuTo...

Motivo...

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles

TribUTO...

O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!
Cecília Meireles

trIbUTO...

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
Cecília Meireles

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

tRibutO...

A mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
Vinícius de Moraes

tributO...

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
Vinícius de Moraes

tribUto...

O VELHO E A FLOR

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.
Vinícius de Moraes

TribuTo...

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes

trIButo...

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

triButo...

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa

TriBUTO...

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa

TRIBUTO...

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora... Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão
Fernando Pessoa

TribuTO...

Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que possa dizer - eu sou eu ?
Fernando Pessoa

trIBuTo...

Nada há que tão notavelmente determine o auge de uma civilização, como o conhecimento, nos que a vivem, da esterilidade de todo o esforço, porque nos regem leis implacáveis, que nada revoga nem obstrui. Somos, porventura, servos algemados ao capricho de deuses, mais fortes porém não melhores que nós, subordinados, nós como eles, à regência férrea de um Destino abstracto, superior à justiça e à bondade, alheio ao bem e ao mal.

TriBuTo...

Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não
Vinícius de Moraes

tributO...

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes

trIBUTo...

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
Vinícius de Moraes

TRIbUTO...

Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer.
Fernando Pessoa

tRIButO...

Para realizar um sonho é preciso esquecê-lo, distrair dele a atenção. Por isso realizar é não realizar..
Fernando Pessoa

TribuTo...

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

tRIButO...

Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?...
Fernando Pessoa

triButo...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
Fernando Pessoa

TrIBuTo...

Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites,não podemos crescer emocionalmente.Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades.Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

TriBuTO...

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.